A estilista Julia Aguiar e uma imagem de sua coleção de inverno 2010
Especialista na construção e desconstrução de peças por meio da técnica de moulage, Julia Aguiar usa como ponto de partida o próprio tecido, invertendo a ordem de criação em busca de formas orgânicas, suas criações refletem contemporaneidade e sugerem um visual atemporal alcançado por meio de experimentações iniciadas no ano 2000 a partir da reciclagem e customização de peças que faziam parte do estoque da marca Marisa Ribeiro.
HF. Formada na Esmod e com passagem pelo Mercado Mundo Mix, como foi o início de sua carreira?
JA. Comecei reciclando peças das coleções antigas da estilista Marisa Ribeiro (minha mãe). Pegava as peças que eu achava legais e mudava o cós por um cós de seda, fazia desenhos nas peças com descolorante, etc. Eram essas pecas que eu vendia no Mercado Mundo Mix.
Depois de fazer isso por mais ou menos um ano, perguntei para a Marisa se podia fazer uma coleção e usar a estrutura da fábrica dela. A resposta foi positiva, desde de que eu me virasse para conseguir dar conta de tudo. Conclui a coleção, coloquei para vender no mesmo showroom que o dela e desde então continuo com a minha marca. Depois de um tempo fui fazer um curso de modelagem na Esmod. Porém, foi um curso, não sou formada na faculdade deles.
Coleção de inverno 2010
HF. Como descreveria o tipo de moda que faz? Quem veste Julia Aguiar?
JA. Eu crio peças casuais com foco no design e no conforto. Porém, elas não deixam de ser sofisticadas e jovens. Acho muito difícil dizer quem veste Julia Aguiar. Qualquer pessoa pode vestir, desde que se identifique de alguma maneira com o produto. Tenho clientes de 15 a 60 anos. Acredito que o produto que faço não é comprometedor. Minha idéia não é impor uma personalidade, mas agregar por meio da moda. De qualquer forma, se tivesse que falar o que todas elas têm em comum, eu diria que é a personalidade forte.
HF. 90% de seu trabalho é baseado em moulage, esta foi uma opção pensada ou simplesmente aconteceu por afinidade?
JA. Aconteceu. Acredito que só consigo criar de verdade fazendo este exercício. É um processo mais orgânico, aberto e espontâneo. Eu gosto muito disso. Porém, isso pode mudar com o tempo. Não quero me prender a uma técnica. Amanhã posso desenhar a coleção inteira sem recorrer ao moulage, sem que isso mude o DNA da marca.
HF. Como você vê a moda e as tendências no mundo globalizado de hoje?
JA. Não sou muito atenta a tendências. Me proponho a fazer um trabalho autêntico e de vanguarda. Quando algum comportamento ou forma virou tendência deixa de ser referência para o meu trabalho. Não que eu não queira usar uma peça que está na moda - por exemplo, ombros marcados - mas para o meu trabalho eu busco o novo.
Coleção de verão 2010
HF. As semanas de moda tomaram conta do país e hoje acontecem nas principais capitais brasileiras, como você vê tudo isso? Que importância teria em sua carreira?
JA. Acho ótimo. Só assim é possível discutir a moda, mostrar o que está sendo feito e evoluir. Não consigo analisar a importância que teria na minha carreira porque não participo de nenhuma. Mas acredito que o trabalho acaba amadurecendo quando ele é exposto por meio de um desfile.
HF. Como são as pesquisas para suas coleções? Onde costuma buscar inspiração?
JA. Minha inspiração vem do que eu consumo. Não no sentido de comprar, mas do que está a minha volta. Imagens, conversas, pessoas, viagens... O que eu pesquiso são técnicas e tecidos, essas são a base das minhas criações.
HF. Estilo é muito mais importante que estar na moda. O que você acha que uma pessoa precisa para ter estilo? O que você considera uma marca de estilo?
JA. Acredito que a pessoa precisa ter cultura e confiança. Qualquer coisa que você faça do seu jeito, com o traço da sua personalidade, se torna único e consequentemente acaba criando um estilo próprio.
Coleção de inverno 2009
Onde Encontrar:
www.juliaaguiar.com.br
Rua Oscar Freire, 1182 (fundos) - São Paulo-SP
(11) 3088 6750 |